domingo, 6 de junho de 2010

Nek tia, nek bakita

Nem posso, nem quero.
Não sei, nem quero saber.
Sem razão nem direito.
Nem o imperador poderia fazer isso.
Nem!
Em português, nem tem cinco sentidos comuns: "tanto/como não", "e não", "e sem", "até mesmo ... não" e "não" enfático. Muitos estudantes de esperanto generalizam esses sentidos, usando nek como equivalente absoluto de nem. Mas não é bem assim...
Mi nek povas, nek volas.
Mi ne scias, nek scivolas.
Sen pravo nek rajto.
Nek la imperiestro povus fari tion.
Nek!
Na verdade, quando sozinho, nek equivale a kaj ankaŭ ne. Já quando aparece mais de uma vez numa frase, equivale a kaj ne. E, conseqüentemente, nek... nek... é uma forma negativa de kaj... kaj... ("tanto... como...").

Na terceira frase, o sentido desejado é o de "e sem". Podemos refrasear de diversas formas, inclusive usando o nek, mas sem o sen:
Kaj sen pravo kaj sen rajto. Kun nek pravo nek rajto. Nek prave nek rajte. (com ar mais proverbial)
Na quarta, almejamos um nem mesmo, nem sequer. É fácil identificar o mal uso do nek nesse caso. A solução é com ne:
Eĉ la imperiestro ne povus fari tion.
Tem também o nem como "não" enfático. Em esperanto há o charmoso e arraigadinho equivalente tute ne, que pode fazer as vezes de nem a pau também. (Aliás, se analisássemos e traduzíssemos essa expressão ao pé da letra, diríamos, prosaica e toscamente: ne, eĉ se batate!)

Simio, ĉu vi mis-nek-as?
TUTE NE!

Referências:
PMEG: Nek, Nek... nek,

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito boa sua ideia. Poderia postar mais resoluções de dúvidas? Eu, por exemplo, tenho alguma dificuldade com o uso dos tempos verbais no particípio.

Victor F. P. Resende disse...

Dankon! Mi tre ŝatas vian afiŝon, ĝi estas por mi utilega.